Alumbres Poéticos

Poesia&Prosa

Rota*

Que arda em nós

tudo quanto arde

e que nos tarde a tarde

 

* Olga Savary. In. ‘Boa companhia – Haicai. São Paulo: Companhia das letras, 2009.

Poeminha fora da estação II – coragem é isso aí, bicho! *

Eu sofro de mimfobia

Tenho medo de mim mesmo

Mas me enfrento todo dia.

Mestre, respeito o Senhor,

Mas não a Sua Obra;

Que paraíso é esse, que tem cobra?

* Millôr Fernandes. In. ‘Boa companhia – Haicai’. São Paulo: Companhia das letras, 2009.

Entre*

entre a dívida externa

e a dúvida interna

meu coração

comercial

alterna

 

* Paulo Leminski. In. ‘Caprichos e relaxos’.  São Paulo: Global, 2002. (Col. Melhores poemas ).

Dobraduras

IMG_20140222_142615

 

 

Num tá fácil,

as angústias de cada dia

e os perrengues que

cobrem o mundo

não dão moleza mesmo…

É protesto, é manifestação,

é o coletivo em alta velocidade

e o trem que não pára na estacão.

A vida é dura, insegura,

problemática, cheia de ranhuras,

em muito parece as dobras

intricáveis de uma dobradura.

É a vida também a beleza

de uma dobradura!

E o mais belo

disto tudo é saber

que sem as dobras,

sem os vincos e curvas,

a dobradura não seria dobradura.

Seria nada mais

que um mero papel colorido.

Neutro, talvez, vazio

e sem significado.

A dobradura, em muito diferente,

é um papel, sim,

mas que por ser

amassado e dobrado

é, por fim,

transformado em obra de arte.

Haveria aí alguma semelhança

com a vida?

Num seria ela também

uma obra de arte?

Não me representam

Mariel Fernandes

Imagem

Não me libertem desse governo, nem de nenhum outro. Não lutem por mim, não marchem em meu nome, não me usem, não seremos amigos. Nem conhecidos, nem haverá risco de erro de afirmarem a meu respeito que desprezo seus métodos e metáforas, os acho grotescos, escusos, secos. Por outro lado, não os mataria, mesmo sem querer, mesmo tendo advogados e seus discursos ensaiados, mesmo possuindo causas aflitas, motivos justos, mesmo assim, não lutem por mim, peço. Não coloquem cartazes, nem vistam camisetas com imagens do Amarildo, o mesmo Amarildo que vocês -tivessem real oportunidade- acorrentariam a um poste.  Dispenso as máscaras, abro mão de toda e qualquer vantagem nascida desse argumento libertador, não subam em minhas costas para chegar a um poder que os fascina a ponto de se desfigurar a obra para  que ela tenha suas imagens, seus gestos e suas formas. Toda vez que gritam, me ensurdecem e deixo…

View original post 189 more words

O Perigo de Ser Feliz Quando Se é Ridículo

Meu Copo Meio Cheio

Imagem

Ser ridículo é um exercício diário, precisamos nos policiar todo o tempo para nos lembrarmos de sermos ridículos sempre que formos tomar uma atitude. Muitas vezes, não é fácil, e acabamos cedendo ou acabamos com preguiça de ser ridículo naquele momento.

Mas, com o passar do tempo, após muita prática, conseguimos ser ridículos sem fazer força, pois já será o nosso natural, não precisamos sequer pensar para sermos ridículos facilmente.

E, quando este momento chegar, poderemos nos orgulhar de nos mesmo, já que conseguimos internalizar a atitude ridícula, sendo uma característica vigorante e não mais apenas atitudes esporádicas.

Então, poderemos acordar, nos encarar no espelho, sorrir, dar um longo e profundo suspiro, fechar os olhos, por um breve momento, e amar a nós mesmos, nos sentir felizes e orgulhosos por termos sido ridículos por tanto tempo…

…por termos sido ridículos quando quisemos usar o corte de cabelo diferente da maioria…

View original post 135 more words

É tempo de…

Casa Inabitada

É tempo de se desvencilhar da casca: a pele antiga cai e eu sigo.

View original post

Da hora

Salvando as aparências

Poemasemfoco

Obra de Escher Quem me vê cercado de folhas vermelhas
Da amendoeira
Não vê a mim,
Mas uma metáfora fora de contexto
Ou, talvez, um pretexto
De poesia.

View original post 65 more words

Antes que o tempo feche

Mariel Fernandes

Imagem

Não espero a esperança, nada peço a ela. Apenas me desfaço, me despeço e amanheço o que for possível. Lanço luzes nas manhãs rotineiras, falo alto para quietudes acomodadas, desalojo processos, destranco ruas, liberto risos, entardeço, aqueço jardins de inverno. Há quem se incomode e lance aqueles olhares afetados. Foram tantos vida à fora que me habituei aos rituais de expulsão dos clubes dos quais nunca fiz parte. Sou da tarde, da pipa, da revista, da mão dada, tenho o corpo fechado pela risada, habitado por uma alma enluarada, meu tempo é o sempre. Nem mais, nem menos, comparações são pobres, rasas, tristes. Ah, porque o PT. Ah, porque a Xuxa, ah a imprensa golpista. Ah, vai ter copa. Ah, não vai ter. Ah, o BBB. Ah, aumentou meu número de seguidores. Ah, diminuiu o de expectadores. Ah, não tem mais jeito. Ah, essa é a única forma. Ah, homem…

View original post 397 more words