Alumbres Poéticos

Poesia&Prosa

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Amar o mar

Scripta

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Poesia, by @zeutonylopes – Instagran.

Foto do píer da Marina de Itaparica, BA.

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Ainda te falta dizer isto

Gato Pingado

Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.

Albano Martins

Arte por Carrie Vielle

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Solito

Solidão, melancolia…

Que mais falta?

Companhia,

alteridade…

Um outro

de carne e osso…

Está nos detalhes

Está nos detalhes.

Com um sorriso se cala dúvidas que ficam lá no fundo, mas as pessoas tem preguiça de persistir nelas.

Antagônicos

“Eu sei fingir bem, quando não está nada bem”

 

[Imagine uma foto minha sorrindo] 

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Garimpeiros

O poeta *

Quantos somos, não sei… Somos um, talvez dois; três, talvez quatro; cinco, talvez nada

[…]

Viemos de longe – trazemos em nós o orgulho do anjo rebelado

Do que criou e fez nascer o fogo da ilimitada e altíssima misericórdia

Trazemos em nós o orgulho de sermos úlceras no eterno corpo de Jó

E não púrpura e ouro no corpo efêmero do Faraó.

[…]

Nascemos da fonte e dentro das eras vagamos como sementes invisíveis o coração dos mundos e dos homens

Deixamos atrás de nós o espaço como a memória latente da nossa vida anterior

Porque o espaço é o tempo morto – e o espaço é a memória do poeta

[…]

Descemos longamente o espelho contemplativo das águas dos rios do Éden

E vimos, entre os animais, o homem possuir doidamente a fêmea sobre a relva

[…]

Quantos somos, não sei… Somos um, talvez dois; três, talvez quatro; cinco, talvez nada

Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze Terras

Quantos, não sei… Somos a constelação perdida que caminha largando estrelas

Somos a estrela perdida que caminha desfeita em luz.

* Vinicius de Moraes. In. ‘Antologia poética’. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Das Percepções

Paradoxos

Vida de Mil Fases

“Assim,

Ao poeta faz bem

Desexplicar –

Tanto quanto escurecer

 acende os vaga-lumes.”

 – Manoel de Barros –

fracassado

Chegam com mansidão

Esses silêncios truncados

Onde minha alma se esconde

Encolhida num canto escuro

Onde se esforça em sonhar.

Já não percebe futuros

Cansou de se fantasiar

Tento vesti-la com flores

Ofereço-lhe borboletas azuis

Mas ela, silencia meu olhar.

Até ontem era festa,

Pantomima e carnaval

Hoje amanheceu assustada

E nem o glitter dourado que ofereci

Surtiu sorriso

Trancada em si

Anuviou meu ser.

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No meio da rua*

Exilado na multidão

sou silêncio e segredo, e venho

quando os outros vão.

* Lêdo Ivo. In. ‘Boa companhia – Haicai’. São Paulo: Companhia das letras, 2009.