Trema

by zlupus30

Aguir sem trema

é um problema.

Nem mesmo o mais caro unguento

perfuma a sentença.

Tranquilo não fico sem o uso

dos dois pontinhos.

Perco a eloquência!

Daí, muitas consequências

roubam minha paciência.

Enquanto escrevo,

visito D.ª Reforma Ortográfica

em seu novo solar.

Perco o sossego!

Sem trema, fico destremado.

No verso do poema, enleado.

Mesmo assim, firmo a caneta

e sigo a sequência.

Sem o sobranceiro

e amigo trema

meu texto curte duras penas.

Sem o trema, sofro um sequestro:

levam-me os sons do poema.

Se eu num aguento,

imagine o fonema!?

O trema perdeu o emprego,

foi destronado.

É mais um desempregado.

Coitado…

Desde então, meu texto

ficou esfaimado.

E agora, que poeta sou?

Um bilíngue desvairado?

Não!

Um delinquente destremado.

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