Aurora pernambucana

by zlupus30

Lá longe canta a ave,

não é o distinto canto do pintassilgo,

é o despertante canto do galo vizinho.

Ouço roncos e palavras matinais,

não são meros signos,

são palavras costumeiras

e sons guturais:

um é palavrório matutino – bom dia – ,

o outro, barulho de feliz dorminhoco.

No íntimo do lar, sons eu ouço:

é um plic plic vindo do telhado.

Um som nada galhardo:

um ruído que cresce, cresce, cresce…

Não são lagartixas, nem gatos.

Será isso uma prece?

Sim! É a prece das águas matinais

que batizam a aurora pernambucana.

Águas de Julho regam a vida

que correm nos verdes canaviais!

Águas de Julho molham

a vida dos conterrâneos!

Águas de Julho crismam

os dias de inverno,

irrigam os sapés nos outeiros

e inundam os matagais!

Águas de Julho saciam

a sede dos calangos,

revigoram o clima tropicano,

num autêntico

alvorecer pernambucano!

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